A nossa história

Após o 25 de Abril, o entusiasmo, a vontade de mudança, a esperança num futuro que preconizava a igualdade de direitos e oportunidade a todos os cidadãos, originou o Movimento CERCI que se espalhou por todo o País e, em 16 de Julho de 1976, nasceu em Leiria, a CERCILEI.
Movidos pela necessidade de preencher uma lacuna na Educação Reabilitação das Crianças Inadaptadas, o desejo de construir uma sociedade mais justa e humanizada, um grupo de Técnicos, Pais e pessoas interessadas, organizaram-se criaram a Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Leiria.
A ideia da implementação local de uma instituição que respondesse às necessidade da criança deficiente e/ou famílias com filhos com problemas de saúde, surgiu basicamente por duas razões:
1º Pelo número de crianças inscritas na Caixa de Previdência, para apoio económico e colocação das mesmas em Colégios de Recuperação Médico – Psico-Pedagógico;
2º Inexistência de qualquer recurso Institucional, quer a nível local, quer distrital.
Como na altura estava a nascer o “Movimento CERCI” a nível nacional, atentas a esta situação, a Equipa de Serviço Social da Caixa de Previdência deslocou-se à CERCI de Lisboa, primeira CERCI a ser constituída no País, com o objectivo de adquirir o máximo de informação, com vista ao possível lançamento de um projecto de âmbito local.
Realizaram-se reuniões na Caixa de Previdência, com um grupo limitado de pessoas, no sentido de preparar a primeira grande reunião, a realizar no Colégio Maria Imaculada, que tinha como objectivo dar a conhecer a iniciativa e sensibilizar a comunidade. Foram muitos serões de preparação e estruturação da instituição, culminando então nesta grande reunião, na altura, anunciada nas homilias das missas do Colégio Imaculada Conceição da Cruz d’Areia.
Aproveitando os profissionais existentes nos Serviços: médicos, psicólogos e outros técnicos, levou-se a bom termo este projecto, envolvendo pais e encarregados de educação destas crianças e jovens.
“O arranque foi um “ Milagre ”, partiu-se do nada, experimentou-se uma e outra coisa, foram-se descobrindo situações que nos ajudavam”, referiu um pai, numa das reunião de Sócios Fundadores realizada na CERCILEI
Primeiro logotipo da Cercilei
Primeiras instalações da Cercilei

PRIMEIRA GRANDE REUNIÃO

Realizaram-se reuniões na Caixa de Previdência, com um grupo limitado de pessoas, no sentido de preparar a primeira grande reunião, que tinha como objectivo dar conhecimento da iniciativa e sensibilizar a comunidade. Estas reuniões de preparação e estruturação da instituição ocupavam intensamente todos os serões
A Grande reunião, que teve lugar no Colégio da Cruz d´Areia, foi anunciada nas Homilias. Estavam lançados os primeiros passos. Reuniões na Caixa Previdência e outras tarefas, ocupavam intensamente todos os serões.

ERAM NECESSÁRIA INSTALAÇÕES

A primeira ideia foi para a Quinta do Amparo, localizada nos Marrazes. O Padre Galamba mostrou-se receptivo, visitaram-se as instalações mas estas eram demasiado grandes e exigiam muitas obras. Optou-se pelo antigo Posto Médico. Situado na Avenida Marquês de Pombal, actualmente a funcionar como Centro de Apoio a Toxicodependentes. Este espaço foi cedido gratuitamente pela Caixa de Previdência.
Desocupado há algum tempo, exigiu uma grande recuperação: - muitos serões a esfregar o chão, pintar portas, paredes e janelas, para, em Dezembro de 1976, estar em condições de se poder começa funcionar com alunos.
OS PRIMEIROS MÓVEIS, mesas e cadeiras, foram feitos pelos pais neste mesmo local.
As refeições vinham de casa, não havia cozinha nem refeitório. O transporte era de responsabilidades dos encarregados de educação, pois não existiam carrinhas.
Mais tarde, quando a CERCILEI já com auxiliares ao seu serviço, alguns alunos vinham de autocarro. Nessa altura, as auxiliares iam esperá-los à paragem e à tarde, levavam-nos do mesmo modo para o regresso a casa. Do outro lado, os pais procediam da mesma maneira: - de manhã levavam o filho ao autocarro e à tarde, na paragem, aguardavam a sua chegada.
Apesar de todos os esforços a situação não estava resolvida. Com o decorrer do tempo verificou-se que estas instalações não ofereciam condições de segurança para os alunos: - estavam localizadas numa zona de muito movimento e o muro que a circundava era muito baixinho. Ao fim de três meses tentou-se, em vão a casa do Dr. Roberto Charter. Surgiu então a hipótese de se ir para a casa situada na Sismaria (Leiria-Gare), a pagar na altura, uma renda de dez mil escudos por mês. A 12 de Fevereiro de 1976 fez-se a mudança e nesta instalações funcionou a CERCILEI durante 19 anos (até 1995, inclusive).

CONTACTO COM OS OUTROS

Mas o trabalho não se limitava só a Leiria, era necessário dialogar com outras CERCI´S, trocar experiências, procurar apoios angariar fundos. Por exemplo, da Gulbenkian conseguiu-se material didáctico, muito útil nesta fase e, mais tarde, um subsídio de dois mil contos para a reparação de um pavilhão e a compra de uma carrinha.
A FENACERCI, Federação Nacional das CERCI´S, nasceu das reuniões trimestrais que se faziam aos sábados e domingos, para se dialogar sobre as CERCI´S (dificuldades sentidas, dinâmica de funcionamento, formas de apoios, …). Foi em Montemor-o-Novo, em 1978, que se fizeram as primeiras “diligências” para a sua constituição. Todas estas deslocações tinham custos, que eram suportados pelos próprios, alguns com muitas dificuldades.
São nomes que ficam na história da CERCILEI, como fundadores o Sr. Eng. Silveirinha, de quem até muito recentemente se recebeu apoio, por intermédio da fábrica de Bolachas Proalimentar, o casal Valentim, Calixto, Filipe e todos outros que deram forma a esta Instituição e a ensinaram a caminhar, lançando-a para um espaço ainda hoje caracterizado pela muita militância solidariedade.
Socialmente foi acarinhada por todos e presentemente até pelos mais novos, através do Pirilampo Mágico, hoje símbolo da solidariedade para com as CERCI´S.

A Organização da Cooperativa

ORGÃOS SOCIAIS:

A Cooperativa, desde o seu início é dirigida por uma Mesa Assembleia-geral, Direcção e Conselho Fiscal, eleitos em Assembleia-geral, por voto secreto:
Mesa da Assembleia-geral – um Presidente, um vice – presidente e dois secretários;
Direcção – um Presidente um Tesoureiro e três Vogais;
Conselho Fiscal – um Presidente e três Vogais.
Actualmente os órgãos mantém-se, tendo sido alterada a composição dos membros da Direcção e Conselho Fiscal, relativamente aos vogais que de três passaram para dois e ainda a nível da Direcção existência de um Secretário.

OS ALUNOS:

Para frequentarem a CERCILEI, os alunos tinham de pagar uma mensalidade. Conforme a capitação e o agregado familiar, a Caixa de Previdência estipulava o valor a ser pago pelos encarregados de educação, sendo o restante subsidiado por estes Serviços.
Esta situação manteve-se até ao ano lectivo transacto (94/95), para todos os alunos. Presentemente, os alunos com idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos, estão abrangidos pela lei da gratuitidade de ensino.

OS PROFESSORES:

O primeiro quadro de pessoal era constituído por seis Professores do 1º Ciclo. A sua colocação foi por destacamento, conforme ainda hoje acontece, embora actualmente seja por concurso público.
As seis professoras tiveram conhecimento da existência de uma escola para deficientes, que era a CERCILEI, por intermédio das várias delegações escolares, que divulgaram a informação e abriram inscrições para os professores que estivessem interessados em leccionar no ensino especial.
Candidataram-se oito professoras que posteriormente foram convocadas para participarem numa acção de formação sobre o ensino especial, realizada na Gulbenkian. Das oitos candidatas, apenas seis podiam ser destacadas, tendo-se na altura chegado a um consenso.

AS AUXILIARES:

As Auxiliares foram o segundo quadro de pessoal, mas primeiras pessoas a exercerem estas funções, eram alunas do Serviço Cívico (considerado um ano pré-universitário), fazendo parte do seu currículo terem uma actividade cívica. Esta situação representava uma ajuda para a CERCILEI, na medida em que não trazia encargos. Só depois, passou a existir no quadro de pessoal, esta categoria.

OUTROS TÉCNICOS:

Durante os primeiros anos de existência, a CERCILEI contou ainda com o apoio de duas Técnicas de Serviços Social da então Caixa de Previdência, Dr.ª Maria de Lurdes Dias Coelho e Dr.ª Maria Emília Rodrigues.
Teve também a colaboração, em regime de voluntariado, do Dr. José Basílio, como psicólogo, da Dr.ª Maria Emília Varela Dias, médica pediatra e do Dr. Fernando Rebolo, como médico de psiquiatria.

O PRIMEIRO LOGOTIPO:

O primeiro logótipo era vermelho e branco, desenhado pelo Dr. Luís Borges da Gama, na altura, um jovem de dezoito anos.
Em 1978, foi desenhado o logótipo actual pelo escultor e pintor Fernando Marques, também professor de Trabalhos Manuais na CERCILEI, durante os anos lectivos 1976/1978

A MUDANÇA PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES

As Novas Instalações constituíram um passo importante na melhoria das condições de trabalho e acção educativa exercida com estes alunos.
Embora a Inauguração tenho sido em Maio de 1995, a mudança efectuou-se em Setembro, altura em que se iniciou o novo ano lectivo. Nestas instalação funcionavam a Área Educacional e, duas salas disponibilizadas para o efeito, o Centro de Actividades Ocupacionais, onde diariamente trinta utentes divididos em dois níveis, se ocupavam com actividades diversificadas, estimulando capacidades.
A Área Educacional era frequentada por trinta e dois alunos, distribuídos por grupos consoante a idade e o grau de desenvolvimento. Eram objectivos dos primeiros níveis, favorecer a aquisição de respostas às necessidades educativas básicas, estimular o desenvolvimento sensorial, controle motor, capacidade de comunicação e socialização, pretendendo-se desenvolver uma maior de autonomia e independência pessoal.
A nível da escolaridade alguns eram capazes de utilizar o computador, grande factor de motivação.
Divididos em dois grupos, estes alunos como complemento, frequentavam actividades de Carpintaria e Terapia Ocupacional. Através destas áreas fazia-se a avaliação, despiste e encaminhamento dos alunos para o Centro de Actividades Ocupacionais ou Formação Profissional.
Comuns às duas valências, educacional e ocupacional, eram os Serviços Sociais e de Psicologia, a Fisioterapia, onde se analisava a capacidade de movimento do aluno, prevenindo a deformidade utilizando agentes físicos e naturais e a Educação Física.
Do programa da Educação Física fazia parte a natação, patinagem, danças populares adaptadas e outras actividades motoras como aprender a andar de bicicleta.

AINDA AS ANTIGAS INSTALAÇÕES

A Formação Profissional continuava a funcionar nas antigas instalações com o curso de jardinagem a nível interno e os cursos de Carpintaria, Operários Indiferenciados e Serviços Pessoais e Domésticos, em posto de trabalho.
Também os serviços de cozinha e refeitório utilizavam este espaço, enquanto se aguardava pela construção deste sector, juntamente com o Centro de Actividades Ocupacionais. Para almoçar, os alunos eram transportados diariamente às antigas instalações, com todas as complicações inerentes. Para os casos especiais de cadeiras de rodas, a CERCILEI adquiriu, uma carrinha adaptada, que permitia dar uma melhor resposta a estas situações.

CONSTRUÇÃO DO BLOCO DA COZINHA, REFEITÓRIO E CENTRO DE ACTIVIDADES OCUPACIONAIS, É JÁ UMA REALIDADE EM FASE DE ACABAMENTO

Foi praticamente ao longo deste ano lectivo que a CERCILEI viu ampliar as suas instalações com a construção de mais um bloco situado paralelamente ao já edificado, acompanhado sensivelmente o mesmo comprimento.
Para além da cozinha e do refeitório, este edifício será composto por um “T1” onde funcionarão as AVD´S (Actividades da Vida Diária) e o gabinete de coordenação, e quatros salas de actividades ocupacionais nas áreas de lavandaria, cerâmica, texteis e reprografia.
O projecto de arquitectura realizado pelo GAT (Gabinete de Apoio Técnico) tem ganho forma, sendo as obras devidamente acompanhadas e fiscalizadas por técnicos, deste serviço que muito nos têm acarinhado e por quem nutrimos grande consideração, já que, sem eles, não seria possível defender a qualidade pretendida.
Sendo uma obra comparticipada em 50% pela Segurança Social, tem sido relevante o empenhamento de todos os colaboradores da nossa Instituição no sentido de se alcançar os restantes 50%.
É de realçar a comparticipação do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, que permitiu a aquisição do equipamento indispensável ao funcionamento da cozinha e do refeitório.
Na expectativa de que com estas instalações os nossos jovens possam ser capazes de retribuir as ajudas que têm recebido por parte de todos aqueles que, de algum modo, têm contribuído para o engrandecimento desta obra, o nosso reconhecimento.

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